
Preencher uma ficha com dados pessoais ao chegar ao hotel sempre foi parte do check-in no Brasil — e uma exigência legal. Agora, esse processo está passando por uma transformação. Desde a última segunda-feira (20), entrou em vigor de forma definitiva a Ficha Nacional de Registro de Hóspedes (FNRH) totalmente digital.
Criada pelo Ministério do Turismo em parceria com o Serpro, a nova plataforma passa a ser obrigatória para hotéis, pousadas, resorts e demais meios de hospedagem em todo o país. Apesar da proposta de modernização, a mudança já vem gerando questionamentos — principalmente por exigir login por meio da conta gov.br.
A nova Ficha Nacional de Registro de Hóspedes (FNRH) — conhecida como check-in digital — substitui o preenchimento manual por uma plataforma online integrada. O registro continua obrigatório e reúne informações como dados pessoais, origem e motivo da viagem, mas agora pode ser feito antecipadamente, pelo celular ou computador.
A ideia é tornar o check-in mais ágil e evitar erros comuns do modelo em papel. Com todas as informações centralizadas, o governo passa a ter uma visão mais precisa do fluxo de viajantes no país, contribuindo para o planejamento do setor.
Embora tenha se tornado obrigatório agora, o sistema não é totalmente novo. Ele começou a ser implementado de forma gradual em novembro do ano passado. De acordo com o Ministério do Turismo, dos mais de 19 mil meios de hospedagem cadastrados no Brasil, cerca de 3,7 mil já utilizam a plataforma.
O check-in digital vem gerando debate nas redes sociais, principalmente pelo fato de o preenchimento ser recomendado via conta gov.br.
Em uma publicação oficial no Instagram do Ministério do Turismo, os comentários refletem insatisfação. Há quem questione a real necessidade da mudança, apontando que o sistema cria uma exigência adicional para algo que já funcionava. Outros destacam dificuldades práticas, como não ter cadastro no gov.br ou não lembrar a senha, além de mencionar que muitos meios de hospedagem nem enfrentavam filas no modelo anterior.
Outro ponto recorrente é a preocupação com o uso de uma conta oficial para registrar dados de hospedagem. Questões relacionadas à privacidade e ao tratamento dessas informações estão entre as principais dúvidas dos usuários.
De acordo com o Ministério do Turismo, o sistema foi desenvolvido com foco na segurança. Em parceria com o Serpro, o governo afirma que os dados seguem as diretrizes da Lei Geral de Proteção de Dados, com armazenamento em ambiente criptografado e validação em tempo real.
O próprio Ministério do Turismo destaca que, embora existam outras formas de acesso, a autenticação via gov.br é a opção preferencial. Segundo o órgão, o uso da conta oficial do governo elimina a necessidade de assinatura física e reduz o risco de fraudes de identidade no momento do check-in.
Na prática, porém, a exigência também enfrenta desafios. Muitos hóspedes ainda têm pouca familiaridade com ferramentas digitais e acabam precisando de apoio da equipe do hotel para concluir o preenchimento das informações.
Como fazer o check-in digital?
O check-in digital é realizado por meio de um link ou QR Code enviado pelo hotel após a reserva, permitindo o preenchimento antecipado da Ficha Nacional de Registro de Hóspedes (FNRH). Esse acesso pode chegar por e-mail, aplicativos de mensagem, site ou outros canais. Quem preferir também pode completar o cadastro diretamente na recepção, no momento da chegada.
Para entrar no sistema, é possível utilizar a conta gov.br (método recomendado), além de certificado digital ou certificado digital em nuvem. As orientações detalhadas sobre essas alternativas estão disponíveis no manual oficial do Ministério do Turismo.
No caso de viajantes estrangeiros, o registro é feito com dados do passaporte, sem necessidade de CPF ou conta gov.br, com opção de preenchimento em outros idiomas. Já menores de idade devem ser incluídos como dependentes no cadastro de um responsável durante o pré check-in.



